Pequenos Grupos:

 

Uma Realidade bíblica; uma necessidade presente.

INTRODUÇÃO.

Nossa pesquisa tem como objetivo principal exaltar a importância do ministério dos pequenos grupos para a igreja hoje e buscar fundamentação bíblica e histórica para tal ministério.

Na primeira seção analisaremos justamente os pequenos grupos no contexto bíblico, como tendo seu surgimento de uma necessidade urgente, as perseguições locais na igreja primitiva. Faremos também uma breve análise do termo grego kat’oikon ekklesia encontrado no Novo Testamento, traduzindo para o português, pois se refere às igrejas dos cristãos nas suas próprias casas.

Na segunda seção analisaremos a importância dos pequenos grupos para o desenvolvimento da igreja local. Usaremos primeiro como referência a importância que os pequenos grupos tiveram no movimento de reforma, especificamente no ministério de John Wesley.

E em seguida, nesta mesma seção, veremos algumas definições vindas de pesquisadores de desenvolvimento de igrejas, sobre a importância dos pequenos grupos para a mesma.

Na terceira e última seção, veremos o que o Espírito de Profecia, na pessoa de Ellen G. White têm a nos dizer sobre o assunto.

Que este simples trabalho, possa despertar os líderes de igreja para esta realidade bíblica, que é a importância dos pequenos grupos para o desenvolvimento da igreja local.

UMA REALIDADE BÍBLICA.

Os princípios bíblicos relacionados ao ministério de pequenos grupos poderiam ser facilmente delineados no Antigo Testamento desde o primeiro verso, Gênesis 1:1; quando diz: "No princípio criou Deus os céus e a terra". A palavra Deus na linguagem original, está no plural, o que inclui a idéia de mais de uma Pessoa envolvida na criação. A crença cristã sustenta que a Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – são um em propósito e desígnio – um pequeno grupo, poderia dizer assim. (1)

Também poderíamos relacionar com o inspirado conselho de Jetro quando viu Moisés sobrecarregado de tarefas e o povo de Israel sendo mal atendidos. Então Jetro orientou para que dividi-se o povo de Israel em grupos e que fosse escolhido líderes para ministrar a estes grupos. Podemos ver em Êxodo 18:21 quando diz: "Além disto procurarás dentre todo o povo homens de capacidade, tementes a Deus, homens vorazes, que aborreçam a avareza, e os porás sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez;"

Um conselho inspirado por Deus para uma necessidade urgente.

Mas para analisarmos o ministério de pequenos grupos de forma mais completa, nós iremos nos deter no Novo Testamento, precisamente no surgimento da igreja cristã.

Tudo começa com o próprio Jesus Cristo, ele coloca Sua grandiosa missão nas mãos de um grupo de 12 homens. Ele também dedicou boa parte de Seu tempo e Suas energias a pequenos grupos de pessoas, a poucos indivíduos; e este princípio foi também absorvido pela igreja em seu surgimento.

Desde os primeiros dias da igreja primitiva os grupos eram uma realidade, havia reuniões nos lares. Todas as atividades associadas à comunidade dos redimidos realizava-se nas casas. Partiam o pão juntos, alimentavam-se juntos e louvavam a Deus no culto doméstico (Atos 2: 46,47). Vidas eram transformadas em função destas reuniões, muitas pessoas que não criam eram alcançadas. Os crentes eram estimados por todos. A evangelização era um dos resultados do encontro dos crentes nas casa.

Logo na igreja em Jerusalém, descrita no livro de Atos, havia um rol com cerca de 120 membros (Atos 1:12-15), em resposta à pregação de Pedro houve um acréscimo imediato de aproximadamente 3.120 membros (Atos 2:41), e em Atos 2:47 percebemos que a igreja continuava a crescer. Pedro quando pregou o seu segundo sermão um número maior aproximado a 5.000 membros foi novamente aumentado à igreja (Atos 4:4), e em conseqüência do crescimento, e também de outro fator que podemos considerar determinante, a perseguição aos apóstolos, havia uma necessidade urgente deles se espalharem em outras áreas além da Judéia. Mas este largo crescimento da igreja em Atos apresentava, basicamente, um problema óbvio em termos de ministério.

Quanto às perseguições, podemos dizer que também influenciou no surgimento dos pequenos grupos havia uma necessidade que precisava ser suprida urgentemente, o cristianismo no tempo da igreja primitiva era visto como uma seita, um movimento anti-político, subversivo, e devido este falso conceito que recebeu, leis proibiam as suas reuniões formais nas igrejas. Os cristãos não podiam construir ou reunirem-se em igrejas até o ano 313 AD quando Constantino então se converte ao cristianismo.

A perseguição foi terrível os poderes terrestres arregimentaram-se contra os seguidores de Cristo. Fogueiras eram acesas para queimar os cristãos. Estas perseguições, iniciadas sob o governo de Nero, aproximadamente ao tempo do martírio de S. Paulo, continuaram com maior ou menor intensidade durante séculos. Os cristãos eram falsamente acusados dos mais hediondos crimes e tidos como a causa das grandes calamidades – fome, pestes e terremotos. Tornando-se eles objeto do ódio e suspeita popular. Grande números destes, quando não eram queimados eram lançados às feras nos anfiteatros. Alguns eram crucificados, outros cobertos com peles de animais e lançados às arenas para serem despedaçados pelos cães. Onde quer que procurassem refúgio, os seguidores de Cristo eram caçados como animais. Eles eram forçados a procurar esconderijos nos lugares desolados e solitários. Sob a mais atroz perseguição, estas testemunhas de Jesus conservavam incontaminada a sua fé. O evangelho continuava a espalhar-se, e o número de seus aderentes a aumentar.

Qual era o segredo?

Os cristãos da igreja primitiva como conseqüência destes fatos, e apesar destas perseguições continuavam a se reunirem, só que, em seus próprios lares. Vejamos alguns exemplos de igrejas nos lares, no tempo apostólico:

A ceia do Senhor foi em uma casa – Marcos 14:12-16

O Pentecostes foi em uma casa – Atos 2:1,2

Na casa de Cornélio – Atos 10:22-30

Na casa de Maria, mãe de João Marcos – Atos 12:11-16

Na casa de Lídia – Atos 16:39-40

Outra igreja em Roma – Atos 28:23, 30, 31

Na casa de Priscila e Áquila, em Roma – Romanos 16:3-5

Na casa de Gaio – Romanos 16:23

Na casa de Pricila e Áquila, em Éfeso – 1 Coríntios 16:19

Na casa de Ninfa – Colossenses 4:15

Na casa de Filemom – Filemom 1,2

O apóstolo Paulo tomava parte nestas perseguições à igreja, até que também se converteu e começou a pregar o evangelho, e a ganhar almas.

Diz certos autores que possivelmente o grande êxito missionário experimentado pela igreja de Antioquia como base missionária do apóstolo Paulo e outros evangelistas, recebeu muita influência nestas reuniões de pequenos grupos que eram feitas nas casas. Praticamente todo o impulso missionário do primeiro século esteve baseado nestas reuniões de pequenos grupos que eram feitas de casa em casa, particularmente nas casas dos crentes.

Eles realizavam nas casas todas as atividades que nós agora executamos nas igrejas. A ação em familiares próximos, permitia e facilitava a comunicação do evangelho de modo eficaz.

Uma importante declaração de pesquisadores da igreja, nos dá uma idéia da realidades deste fato. Os lugares de reunião dos grupos paulinos, e provavelmente da maioria de outros grupos cristãos primitivos, eram casas particulares. E quatro lugares nas epístolas paulinas comunidades específicas são designadas pela frase he kat’ oikon ( + pronome possessivo) ekklesia, que podemos traduzir como "a assembléia na casa de Fulano".

Estes são: 1 Coríntios 16:19; Romanos 16:5; Filipenses 2; Colossenses 4:15.

Diz mais: A kat’oikon ekklesia é assim a "célula básica" do movimento cristão, e seu núcleo era muitas vezes uma casa existente. ...a casa era muito mais ampla do que a família nas sociedades ocidentais modernas, incluindo não só parentes próximos, mas também escravos, libertos, trabalhadores contratados, e algumas vezes, atendentes e parceiros no comércio ou na profissão.

As epístolas de Paulo revelam ainda que havia uma certa preocupação e interesse pela vida interna destes grupos cristãos. As epístolas também revelam que esses grupos de cristãos gozavam de um grau incomum de intimidade, e de sentido muito forte de coesão interna entre os membros e de distinção tanto em face dos que se achavam do lado de fora, quanto diante do mundo.

Há também, alguns aspectos interessantes na igreja primitiva, as reuniões de pequenos grupos não eram feitas somente em casas particulares, havia também naquela época, reuniões em salões alugados pelos próprios cristãos, mas logo cessando o período de perseguição, os templos eram novamente construídos e igrejas eram novamente reformadas. Para deixarmos bem claro, estes acontecimentos se deram já nas últimas perseguições, durante o tempo de Diocleciano, e alguns desses templos que ainda existiam quando Constantino subiu ao poder, foram pagos pelas cidades em que estavam. A partir dessa época, 313 AD, os cristãos gozavam de plena liberdade para edificar templos que começaram a ser erguidos, por toda parte.

Uma vez que o método de reuniões em pequenos grupos era uma realidade na igreja primitiva, seria interessante analisarmos também as características destes grupos e suas funções.

Robert E. Logan estudando à luz da Bíblia as funções dos pequenos grupos na igreja primitiva, percebeu algumas características importantes, eis algumas: ensino e assimilação das doutrinas, comunhão, oração, milagres, adoração, evangelismo, companheirismo, servia também para passar tempo juntos, compartilhar as necessidades individuais, admoestação, confissão mútua, edificação, encorajamento, exortação, cuidados mútuos, exercitar a paciência entre eles, suportando-se uns aos outros em amor; exercitar a gentileza e compaixão, perdoando-se uns aos outros.

Sem dúvida o ministério dos pequenos grupos, com suas características, o torna indispensável para qualquer igreja local.

NECESSIDADES REAIS; No Período da Reforma.

Já no período da reforma, encontramos um personagem importante que percebeu neste método bíblico um forte apoio para suprir as necessidades de sua igreja.

John Wesley, líder do movimento metodista, viu nos pequenos grupos um poderoso método para o desenvolvimento e discipulado dos crentes.

John Fowler, pastor adventista, pesquisando os pequenos grupos no trabalho pastoral de John Wesley, tirou algumas conclusões importantes:

Ministério de pequenos grupos não é nenhuma novidade. É parte das atividades da Igreja desde o seu início. Na história relativamente recente, João Wesley usou esse método de aproximação com muito êxito em suas atividades evangelísticas. Depois que Wesley pregava e o interesse dos ouvintes era despertado, ele colocava os que respondiam a seus apelos, em pequenos grupos, sob os cuidados de auxiliares leigos treinados para tratar com suas questões individuais e seus problemas pessoais.

Fowler diz mais:

Para Wesley esses pequenos grupos tornam-se o lugar onde um indivíduo pode encontrar os ingredientes fundamentais para uma vida cristã bem-sucedida. Wesley treinava cada grupo enquanto ministrava individualmente aos respectivos membros. Os grupos formavam o centro da vida devocional, estudo da Bíblia e oração. Eram também a base do cuidado pastoral. Seus membros partilhavam mutuamente suas aflições e angústias; fracassos e vitórias; doenças e esperança de cura; problemas no casamento e de paternidade; a agonia da pobreza, injustiça social e, em alguns lugares, opressão política. Encorajamento e auxílio práticos eram providenciados quando necessários.(14)

Segundo as pesquisas de Fowler, o trabalho dos pequenos grupos com Wesley não se limitava ao suprimento dos aspectos espirituais, mas também os crentes eram supridos no aspecto moral e social.

Os grupos de Wesley ajudavam inclusive na solução do problema de desemprego, providenciando trabalho para algumas pessoas. Dessa forma, além de centro para estudo da Bíblia, oração e serviço cristãos, os grupos também eram centros de reforma moral e social.(15)

Fowler expõe ainda, de forma clara, os aspectos que a atuação dos pequenos grupos podem suprir, em uma comunidade de crentes, veja por exemplo:

Problemas espirituais. Nós acreditamos que muitos problemas têm uma raiz espiritual. Em virtude disso, o melhor remédio são o ensinamento e a aplicação dos princípios da Bíblia. Levar o povo a um relacionamento com Jesus e com outros cristãos é nosso objetivo. Trabalhamos para ajudar as pessoas a buscar vitória, sabedoria, paz e alegria em Cristo. Essa é a melhor ajuda que um pequeno grupo pode providenciar.

Amizade. A discussão realizada em um pequeno grupo também pode ser direcionada a uma extensa variedade de problemas encontrados entre as pessoas que assistem às reuniões evangelísticas. São problemas que podem variar entre vícios, desânimo, estresse, ansiedade e solidão. No entanto, o propósito dominante de um pequeno grupo deve ser prover amizade, encorajamento e apoio para os indivíduos. Uma genuína demonstração de amizade e solidariedade pode ser uma fonte de fortalecimento para os membros do grupo.

Depressão. Esse é um dos principais problemas da sociedade moderna. Boa parte da população em todos os lugares sofre alguma forma de depressão. E por isso, também, muitos são dependentes de remédios que favorecem uma boa convivência com as circunstâncias que os tornam deprimidos. Entretanto, usualmente, o melhor tratamento para a depressão é a terapia cognitiva, já que a maioria dos casos da doença está relacionada com hábitos negativos de pensamento. O sistema de apoio dos pequenos grupos pode ser um potencial agente no desenvolvimento de pensamentos positivos como coragem, fé, esperança e alegria.

Doença. Uma área da vida que necessita de especial atenção é a área física. Por isso, deveríamos providenciar um programa de orientação para a saúde, como parte introdutória de uma campanha evangelística, ou se desenvolvendo simultaneamente a ela. Distribuição de literatura e palestras que orientem ao público no uso dos remédios simples da Natureza e adoção de hábitos preventivos de saúde, devem fazer parte do programa.

Assistência social. Constantemente Jesus Cristo estava focalizando sobre o ministério aos pobres. "Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo como o incansável servo das necessidades humanas", diz Ellen White ( Obreiros Evangélicos, p. 51), e assim devemos ser. Muitas igrejas têm uma equipe responsável pela realização de serviços comunitários que pode atuar durante as reuniões.

Sem dúvida quando os pequenos grupos estão envolvidos nesses ministérios, o evangelismo torna-se atrativo. Uma amizade sólida e significativa é estabelecida, a ajuda prática é sempre bem recebida; as pessoas desenvolvem um senso de pertinência e lealdade ao grupo e finalmente, a igreja. Tanto a pregação pública como o trabalho pessoal dos pequenos grupos trabalham juntos para levar os interessados a uma completa entrega da vida a Cristo, e a experimentar um estilo de vida significativo.

Na Igreja Hoje.

Já as pesquisas que o pastor Christian A Schwarz fez sobre o desenvolvimento natural da igreja, com dados arrecadados em 1.000 igrejas em 32 países e com 4,2 milhões de respostas, o levou a concluir que a multiplicação de pequenos grupos familiares é um princípio universal de crescimento de igreja, tanto em termos de quantidade, como em qualidade.

Christian A Schwarz aponta na mesma pesquisa , 8 (oito) princípios universais para o crescimento da igreja, e considera a multiplicação de pequenos grupos familiares entre os 8 princípios estudados, "o mais importante". Os princípios estudados foram: Liderança capacitadora; Ministérios orientados pelos dons; Espiritualidade contagiante; Estruturas funcionais; Culto inspirador; Grupos familiares; Evangelização orientada para as necessidades; Relacionamentos marcados pelo amor fraternal.

Paul Yonggi Cho, pastor de uma das maiores igrejas do mundo, localizada na Coréia do Sul, com mais de 150.000 membros em sua congregação, aponta algumas vantagens de se ter uma igreja que valorize o princípio bíblico de pequenos grupos familiares.

Um dos maiores problemas da sociedade hoje em dia é a despersonalização dos seres humanos. Com o aumento da população as pessoas tornam-se apenas um rosto a mais na multidão. Muitos livros tem sido escritos acerca das dificuldades que muitos tem em tentar lidar com a despersonalização, na qual se vêem como um número somente. Sentem-se alienados, solitários, sem objetivos.

Este problema entrou em muitas igrejas grandes. Muitas das grandes e dinâmicas igrejas foram construídas sob o ministério forte e pessoal de um ungido homem de Deus, cujo ensino, o ânimo são muito necessários aos membros de sua congregação. As pessoas tem fome da Palavra de Deus e da segurança de que Deus as considera mais que meros números. Contudo, enquanto ouvem as palavras de encorajamento do púlpito, experimentam na igreja quase que a mesma coisa que na vida secular. São meros espectadores.

Mas em ralação a isto, Cho vê nos pequenos grupos, ou grupos familiares, uma salvaguarda.

Os grupos familiares, por outro lado, provêem oportunidade real para pessoas como estas de encontrarem participação significativa na vida de sua igreja. Nem todos podem ser pastores ou diáconos em uma grande igreja; não é todo mundo que pode ensinar... ou dar aconselhamento. Mas com os grupos familiares há oportunidade para que todos participem.

As grandes igrejas estão sendo instruídas que o único caminho para continuar seu crescimento é de tornar-se em pequenas partes. Muitas delas, tocante a este respeito, consideram a divisão em células a base para a construção de uma igreja sadia. Os pequenos grupos provêem um suporte natural para uma igreja que tem a tendência de se tornar opressora e impessoal devido o seu tamanho. Entretanto, pequenos grupos não é uma garantia de crescimento de igreja, principalmente se a igreja não os perceber como um princípio. As melhores igrejas vêem nos pequenos grupos uma característica de vida.

Rick Warren, pastor da Igreja da Comunidade de Saddleback Valley, em Foothill no estado da Califórnia, também considera os pequenos grupos a forma mais eficiente de se trancar a porta de saída de uma igreja, e que vê o desenvolvimento de pequenos grupos dentro da comunidade cristã como um dos meios de manter um sentimento de "pequena igreja" e de comunhão entre irmãos de grandes igrejas, e que estes pequenos grupos ajudam os pastores a proporcionar a cada membro uma atenção merecida. Ele aponta algumas vantagens nos grupos, por exemplo: são indefinidamente expansíveis (as casas estão por todos os lados); são ilimitados geograficamente (você pode ministrar em uma área maior); facilitam o relacionamento e a intimidade (sua ausência é notada).

Larry Stockstill, outro pesquisador que vê nos pequenos grupos um importante método para o trabalho pastoral e o desenvolvimento da igreja, afirma que este método passou pelo teste do tempo e que os grupos pequenos concede oportunidade para que cada crente encontre espaço para exercitar suas capacidades como líder. Ele conclui seus estudos com uma pergunta:

Será que nós, aqui em nosso país, podemos abrir mão dos princípios bíblicos que regeram a igreja primitiva, mantiveram-na coesa e que, hoje também, se mostram eficientes em outras nações?

OS PEQUENOS GRUPOS NO ESPÍRITO DE PROFECIA

Diante de nosso estudo sobre os pequenos grupos, e sua importância na igreja, recebemos confirmação nos escritos de Ellen G. White, ela revela que este método não só tem a aprovação de Divina, como também foi apresentado a ela pelo próprio Deus.

A formação de pequenos grupos, como uma base de esforço cristão, é um plano que tem sido apresentado diante de mim por Aquele que não pode errar. Se houver grande número na igreja, os membros devem ser divididos em pequenos grupos, a fim de trabalharem não somente pelos outros membros, mas também pelos descrentes.

Percebemos que este método tem características evangelísticas, o objetivo é a pregação do evangelho, não só para os de fora, mais também para os de dentro da igreja.

Sem dúvida, o método de pequenos grupos auxilia o trabalho dos obreiros e também o trabalho pastoral, ou seja, qualquer outro que esteja envolvido com a obra do ensino e de preparo dos membros. O preparo e o ensino é também apontado por ela como a melhor obra a se fazer pelos já crentes.

Veja esta declaração:

A melhor obra que podeis fazer, é ensinar, educar. Onde quer que se vos depare uma oportunidade de assim fazer, sentai-vos com alguma família, e deixai que vos façam perguntas. Respondei-lhes então pacientemente, humildemente. Continuai esta obra juntamente com vossos esforços em público. Pregai menos, e educai mais, mediante estudos bíblicos, e orações feitas nas famílias e pequenos grupos.

Veja outras declarações sobre o aspecto evangelístico dos pequenos grupos:

Em nossas igrejas, formam-se grupos para o trabalho. Não pode haver ociosos na obra do Senhor. Pessoas diferentes devem unir-se na obra como pescadores de homens. E devem procurar arrancar as almas da corrupção do mundo para a salvadora pureza do amor de Cristo.

Em todas as igrejas:

Haja em toda a igreja grupos bem organizados de obreiros para trabalharem nas vizinhanças dessa igreja.

Formemos em nossas igrejas grupos para o serviço. Unam-se membros vários para trabalhar como pescadores de homens.

Em igrejas grandes:

Se há na igreja grande número de membros, convém que se organizem em pequenos grupos a fim de trabalhar, não somente pelos membros da própria igreja, mas também pelos incrédulos. Se num lugar houver apenas dois ou três que conheçam a verdade, organizem-se num grupo de obreiros.

Este método também é recomendado para visitas a doentes nos lares e em hospitais. Este era o trabalho de Cristo.

Cristo ia ao encontro das pessoas onde elas estavam, e expunha perante elas as grandes verdades relacionadas com a Seu reino. Ao ir de lugar em lugar, abençoava e confortava os sofredores e curava os enfermos. Este é nosso trabalho. Pequenos grupos devem sair para fazer a obra que Cristo indicou aos Seus discípulos. Enquanto trabalhavam como evangelistas podem eles visitar os doentes, orar com eles e, se necessário, tratar deles, não com medicamentos, mas com os remédios providos pela Natureza.

Os discípulos, refletindo o método de Cristo, fizeram uso do método de pequenos grupos para ensinar as Escrituras Sagradas aos não crentes. Eles sabiam que este método era eficaz.

Ao tempo designado, cerca de quinhentos crentes estavam reunidos em pequenos grupos na encosta da montanha, ansiosos por saber tudo quanto fosse possível colher dos que tinham visto Jesus depois da ressurreição. Os discípulos passavam de grupo em grupo, dizendo tudo quanto haviam visto e ouvido do Salvador, e raciocinando sobre as Escrituras, como Ele fizera com eles.

Ellen G. White também via a importância deste método para as campais.

Foi-me mostrado que nossas reuniões campais hão de crescer em interesse e êxito ao aproximarmo-nos do fim, tenho visto que deve haver, menos reuniões, menos pregação, e mais estudos bíblicos. Haverá por todo o acampamento pequenos grupos, de Bíblia na mão, e várias pessoas dirigindo um estudo escriturístico de maneira franca, em forma de conservação.(32)

Era o método que Cristo usava para ensinar às multidões.

Era este o método por que Cristo ensinava Seus discípulos: Quando as grandes multidões se apinhavam em torno do Salvador, Ele costumava dar instruções aos discípulos, misturavam-se com o povo, repetindo-lhes o que Cristo dissera. Muitas vezes os ouvintes haviam aplicado mal as palavras de Cristo, e os discípulos lhes diziam o que declaravam as Escrituras, e o que Cristo havia ensinado que elas diziam.

Em relação à igreja primitiva ela diz:

A organização da igreja em Jerusalém deveria servir como modelo para a organização de igrejas em todos os outros lugares em que mensageiros da verdade conquistassem conversos ao evangelho... Mais tarde, na história da igreja primitiva, quando nas várias partes do mundo muitos grupos de crentes se constituíram como igrejas, a organização da mesma foi mais aperfeiçoada, de modo que a ordem e a ação harmoniosa se pudessem manter. Todo membro era exortado a bem desempenhar sua parte. Cada qual devia fazer sábio uso dos talentos a ele confiados.

Ellen White confirma que este era o método de trabalho do apóstolo Paulo:

O apóstolo [Paulo] sentia-se responsável em grande medida pelo bem-estar espiritual dos que se convertiam por seus labores Seu desejo era que crescessem no conhecimento do único verdadeiro Deus, e de Jesus Cristo, a quem Ele enviou. Não raro, em seu ministério, reunia-se ele com pequenos grupos de homens e mulheres que amavam a Jesus, inclinando-se com eles em oração, pedindo a Deus para lhes ensinar como se manterem em íntima comunhão com Ele.

Ela vê também a importância deste método para o desenvolvimento dos membros em suas funções de liderança.

Para os pequenos grupos que abraçam a verdade, importa fazer arranjos que garantam a prosperidade da igreja. Poder-se-á nomear uma pessoa para dirigi-lo durante uma semana ou um mês, depois outra por algumas semanas, e assim diversas pessoas poderão sucessivamente ser experimentadas para depois se provar mais apta, para assumir as funções de dirigentes; nunca, porém, por mais tempo do que um ano....

Sem dúvida de acordo com o Espírito de Profecia o ministério dos pequenos grupos é de importância fundamental para o desenvolvimento da igreja de Deus nestes últimos dias, pois promove o evangelismo pessoal, ou seja o crescimento da igreja, promove também a unidade entre os crentes, como também é um excelente método para o estudo indutivo da Bíblia.

CONCLUSÃO

Como vimos o nosso estudo teve como objetivo principal exaltar a importância do ministério dos pequenos grupos para a igreja local hoje, isto, através da Bíblia e de alguns fatos históricos.

Na primeira seção analisamos os pequenos grupos na igreja primitiva, e seu surgimento como fruto de algumas necessidades urgentes, entre estas a perseguição, e que mesmo em meio a estas perseguições a igreja cresceu assustadoramente, graças a este método divino. Fizemos também, nesta mesma seção, uma breve análise do termo grego kat’oikon ekklesia encontrado no Novo Testamento que traduzindo para o português fica "a assembléia na casa de Fulano" que se refere justamente aos grupos de cristãos bíblicos que se reuniam em suas próprias casas.

Na segunda seção foi analisado a importância deste método no movimento de reforma, especificamente no trabalho pastoral de John Wesley, e que ele usava este método para suprir as necessidades dos crentes, não só no aspecto espiritual, mais também, no aspecto social. E em seguida, nesta mesma seção, vimos as opiniões de pastores e pesquisadores conceituados na área de desenvolvimento de igreja, sobre a importância dos pequenos grupos.

Já na terceira e última seção, vimos o Espírito de Profecia, confirmando os aspectos estudados, e de uma forma inspiradora, revelando que este método era o método usado pelos discípulos, pelo apóstolo Paulo, como também, pelo próprio Jesus Cristo para o crescimento da igreja.

Que este simples estudo, possa ter despertado o interesse para esta realidade bíblica, que é a importância dos pequenos grupos para o desenvolvimento da igreja de Deus, como um todo.